Ao longo da nossa vida, escolhemos músicas que nos provocam certos estados de depressão ou euforia. Há várias playlists ao longo dos anos. Mas têm sempre aquelas músicas que viram tema da vida quando acaba um relacionamento, por exemplo, e para fazer a gente sofrer mais um pouquinho, ou aquela música tão barulhenta que distrai a dor da perda. São escolhas.

Quantos de nós usamos a música para ficar mergulhados em estados emocionais de depressão ou na euforia? A “sofrência”, por exemplo, um estilo de música sertaneja, é a ferramenta coletiva brasileira do momento para dar vazão a essa tendência humana.

Há vários aspectos nessas dinâmicas que eu gostaria de comentar com vocês.

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Há vários aspectos nessas dinâmicas que eu gostaria de comentar com vocês.

Imaginem uma onda sonora, uma senoide. Frequência é o tempo, o intervalo entre a queda e a subida da onda. Quanto mais lenta é a onda, mais baixa é a frequência, portanto mais grave é o som emitido. Quanto mais rápida é a onda, mais alta é a frequência, e mais médio ou agudo é o som. Assim é até chegar a uma velocidade que fica tão rápida e aguda que os sentidos humanos nem conseguem perceber. Eu acho que esse movimento tem um paralelo com os nossos processos emocionais.

Vamos imaginar que essa onda é o caminho que a gente percorre ao longo de um dia, período ou durante a vida inteira. A depressão, a parte mais baixa da onda, seria um vale, e a parte mais alta da onda seria uma colina. No vale, a visão não ultrapassa as montanhas. Da colina, vemos tudo claro e sem barreiras.

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O momento no alto da colina seria o ápice. Poderíamos chamá-lo de busca da felicidade. Pois bem: nós nos habituamos a achar que o bom da vida é estarmos constantemente no topo da colina. Trazemos, no inconsciente, conceitos e promessas como a felicidade eterna, a vida eterna, a eterna primavera, o paraíso perdido, muitos deles relacionados às religiões. Não há onda, porém, que não tenha depressão e subida. E se o bom da vida for justamente esse movimento?

As músicas que escolhemos fixam nosso estado vibracional. Podem nos prender ao passado de várias formas, seqüestrar nosso presente, oferecer novas experiências e/ou, a nosso gosto, impedir de saborear a velocidade do futuro. Podem nos levar com agilidade até o vale e ajudar a subir mais depressa, empurrados por sua energia, até a colina. A boa senoide ajuda a passar mais harmoniosamente pelos estados de baixa e alta frequência até não nos darmos mais conta do que é alto e baixo. Simplesmente dançarmos a onda!

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Como entrar na boa senoide? Com olhos e ouvidos bem abertos, dê uma bela olhada na sua playlist. Observe como está regulando e mantendo a sua frequência em determinados estados emocionais e vibratórios. Preste atenção se há sensações que não deixam caminhar em frente e experimentar o futuro, visitar novas colinas ou que te levem com velocidade, sem proteção, até o próximo vale para pegar alimento, energia e impulso afetivo para subir novamente mais rápido do que antes.

Não seria esse o paraíso? Conseguir dançar a música da dor e da euforia sem apego? Adoraria ouvir as histórias e viagens musicais de vocês! Besos!

Ritmo